terça-feira, fevereiro 3

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego descobriram um mecanismo biológico que ajuda a controlar a perda excessiva de peso. Essa pesquisa, publicada na revista Nature, revela que o sistema imunológico tem um papel importante nesse processo.

Quando o corpo passa por situações de estresse, como a exposição a temperaturas muito baixas, certas células do sistema imunológico, chamadas neutrófilos, são ativadas. Esses glóbulos brancos se movimentam até o tecido adiposo, que é onde o corpo armazena gordura, e liberam sinais químicos que ajudam a reduzir a quebra de gordura.

O tecido adiposo branco, conhecido como “gordura corporal”, desempenha uma função crucial no equilíbrio energético do corpo. Ele armazena energia sob a forma de gordura quando há uma ingestão calórica excessiva e libera essa energia quando a ingestão é menor do que o gasto energético.

Os pesquisadores acreditam que esse mecanismo que desacelera a queima de gordura se desenvolveu ao longo da evolução como uma vantagem para a sobrevivência. Em tempos de escassez de alimentos ou durante períodos prolongados de frio, manter a energia ajudava os nossos ancestrais a sobreviver.

Esse mesmo mecanismo evolutivo ainda está presente hoje. De acordo com estudos, quando uma pessoa perde peso, o corpo reage como se isso fosse uma ameaça. Aumentam os hormônios que causam fome, a vontade de comer fica mais intensa e o gasto energético diminui. Essas respostas se desenvolveram para permitir que o corpo armazenasse e usasse energia de forma eficiente em ambientes onde a comida nem sempre está disponível. Contudo, atualmente, com o fácil acesso a alimentos baratos e calóricos e estilos de vida mais sedentários, essas adaptações que antes eram benéficas podem trazer problemas.

Ainda que esse fenômeno seja bem compreendido em termos gerais, os detalhes sobre como as células atuam para evitar a queima excessiva de gordura em situações de estresse não eram tão claros. Para investigar isso, os cientistas realizaram experimentos em modelos de camundongos.

Os resultados mostraram que, quando o sistema nervoso simpático — que prepara o organismo para enfrentar estresse — é ativado, há um aumento na migração de neutrófilos para a gordura visceral, que envolve órgãos vitais. Esses neutrófilos produzem moléculas que ajudam a evitar a perda adicional de gordura nos tecidos ao redor.

Além disso, quando os cientistas removeram essas moléculas ou os neutrófilos em si, os camundongos mostraram um aumento na quebra de gordura em condições de estresse metabólico. Esse achado é fundamental, pois indica uma relação inesperada entre as células de gordura e as células do sistema imunológico, mostrando que o sistema imunológico não apenas combate infecções, mas também é essencial para manter o equilíbrio energético.

Os pesquisadores também perceberam que, em animais com obesidade, os genes ligados a esse mecanismo apresentavam atividade elevada. Isso sugere que a interação entre o sistema imunológico e o tecido adiposo é ainda mais intensa em condições de obesidade.

Com essas novas informações, os cientistas acreditam que é possível explorar essa via recém-descoberta para desenvolver novas estratégias terapêuticas. Isso pode abrir portas para tratamentos contra a obesidade, distúrbios metabólicos e até mesmo perda de peso diferente da intencional.

Dessa forma, a pesquisa não só contribui para a compreensão de como o corpo humano lida com a energia e o peso, mas também sinaliza caminhos para intervenções mais eficazes na saúde. A nova compreensão sobre o papel do sistema imunológico no controle do peso pode transformar o tratamento de condições relacionadas à obesidade e ao metabolismo. Essa descoberta ressalta a complexa interação entre o sistema imunológico e o organismo, evidenciando que aprimorar nossa saúde pode ser uma questão de entender melhor nosso próprio corpo.

Assim, continuamos a descobrir que, mesmo em processos tão naturais quanto a regulação do peso, existem muitos mecanismos complexos em ação. Com a pesquisa contínua nessa área, a esperança é que possamos encontrar maneiras mais eficazes de lidar com os desafios que a obesidade e os distúrbios metabólicos apresentam em nossa sociedade contemporânea. Essas descobertas podem ser chave para entender como manter um peso saudável desse modo mais efetivo e duradouro.

Em resumo, a pesquisa revela que o sistema imunológico e o tecido adiposo trabalham juntos para regular a perda de peso. Isso evidencia a importância de explorar esses mecanismos biológicos para desenvolver novos tratamentos para problemas relacionados ao peso e à saúde.

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