terça-feira, fevereiro 3

Enquanto o mundo busca soluções para o acúmulo de resíduos que poluem oceanos e cidades, um novo estudo indica que os portos podem desempenhar um papel essencial nesse problema. Pesquisadores destacam que os terminais portuários atuam como “gargalos” onde a enorme produção global de plásticos passa, sugerindo que são locais ideais para conter esse fluxo antes que cause danos ambientais irreversíveis.

Realizado por acadêmicos da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade de Queensland, na Austrália, o estudo aponta que o plástico não é uma questão restrita a locais específicos, mas sim uma mercadoria que transita globalmente. Desde a década de 1950, a produção de plástico cresceu muito, triplicando apenas entre 1991 e 2021. No entanto, as políticas focam principalmente na produção e no descarte desses materiais, deixando de lado a fase intermediária: o transporte e o comércio internacional.

O estudo utilizou o Porto de Santos como exemplo para a análise. Aqui, perceberam que os portos são áreas bem definidas, com alto nível de monitoramento e infraestrutura tecnológica. Diferente das complexas redes de consumo, os portos concentram o fluxo de mercadorias em poucos locais, o que facilita o controle.

Os autores do estudo, Caroline Malagutti, André Luiz Pardal, Nicole Russo e Pedro Fidelman, afirmam que “o plástico não se fabrica em um bairro, ele depende de uma gigantesca cadeia internacional”. Ao reconhecer os portos como os pontos centrais dessa cadeia, a proposta é implementar tarifas e regulamentos nesses locais. A receita gerada poderia ser usada para desenvolver materiais alternativos e sistemas de reuso, atacando a questão na raiz econômica.

### Desigualdade no Controle de Plásticos e o Sul Global

Um aspecto importante levantado pela pesquisa é a questão da justiça climática. Se as taxas forem aplicadas apenas em portos do Norte Global, isso poderá encarecer produtos essenciais e afetar o poder de compra das populações no Sul Global, aumentando as desigualdades.

A proposta é coordenar esforços a nível internacional, garantindo que os portos do Sul Global também recebam investimentos em agências ambientais e tecnologia. Com isso, busca-se evitar que países em desenvolvimento arcassem sozinhos com os custos da transição energética. A ideia é que os recursos obtidos com a taxação do plástico sejam utilizados para recuperar áreas degradadas e desenvolver novas tecnologias.

Os pesquisadores sugerem a utilização de dados do World Integrated Trade Solution para fundamentar negociações globais. Ao rastrear 145 tipos de insumos plásticos que cruzam os oceanos, é possível estabelecer metas de redução com base em evidências concretas, e não somente em boas intenções políticas. Essa abordagem busca desafiar o forte lobby do petróleo, que ainda subsidia a produção de plásticos virgens, dificultando a implementação de modelos de economia circular.

A conclusão do estudo é direta: sem intervenções no comércio internacional, o mundo continuará a fazer esforços ineficazes na gestão de resíduos. Os portos, que historicamente facilitaram o comércio, possuem o potencial de ser a solução para bloquear o crescente fluxo de plástico que contamina nosso planeta.

### A Importância da Regulação nos Portos

Regular os portos poderá ter um impacto significativo na forma como o plástico é gerido globalmente. Os portos são locais onde grandes volumes de mercadorias passam em um curto espaço de tempo, o que os torna pontos ideais para a implementação de novas políticas. É essencial que iniciativas nesse sentido sejam acompanhadas de planos de conscientização e ação conjunta entre países.

### Tecnologias de Monitoramento e Controle

O uso de tecnologias para monitorar a passagem de plásticos nos portos é uma maneira de gerenciar melhor o fluxo desses materiais. Sistemas de rastreamento, por exemplo, podem ajudar a identificar quais tipos de plásticos estão sendo transportados e em que quantidades. Isso permitiria uma resposta mais rápida e eficaz às questões relacionadas ao controle de poluentes.

### Capacitação e Inovação no Sul Global

Investir em capacitação e inovação no Sul Global é fundamental. Os países em desenvolvimento muitas vezes carecem de recursos e tecnologias para lidar com a transição energética e a gestão de resíduos. Portanto, garantir que esses países recebam apoiados e incentivos é vital para que possam fazer parte da solução.

### O Papel da Sociedade Civil

Além das instâncias governamentais, a sociedade civil também tem um papel importante nesse processo. As comunidades devem ser engajadas em ações que busquem reduzir o consumo de plásticos e fomentar a adoção de práticas mais sustentáveis. Campanhas de conscientização podem fortalecer a responsabilidade coletiva por um futuro mais sustentável.

### Colaboração Internacional

A colaboração entre nações é crucial para resolver um problema que é, por natureza, global. Políticas unificadas que considerem as realidades de cada região podem acelerar esforços para reduzir a produção e descarte de plásticos. Os portos, ao serem pontos de coordenação, podem facilitar trocas de melhores práticas e tecnologias que ajudem na redução de resíduos.

### Fomento à Economia Circular

Uma abordagem que busca mitigar os efeitos do plástico no meio ambiente é a adoção da economia circular. Nesse modelo, o foco é manter os recursos em uso pelo maior tempo possível, reduzindo a necessidade de novos materiais. Portos que implementam essa filosofia podem servir de exemplo para o resto do mundo.

### Incentivos à Reciclagem e Inovação

Os portos podem ainda incentivar a reciclagem e a inovação na produção de plásticos. Criar um ambiente favorável para startups e empresas que desenvolvem soluções ecológicas ajuda a diversificar as opções disponíveis e torna o uso de plásticos menos danoso ao meio ambiente.

### Resumo dos Desafios e Oportunidades

Os desafios relacionados ao plástico vão além de fronteiras. Com o aumento da produção e consumo, soluções eficazes são necessárias. Os portos têm a oportunidade de se tornarem protagonistas na luta contra a poluição por plásticos, ao mesmo tempo que promovem a justiça climática.

Por isso, a colaboração global, inovação e um enfoque regulatório nos terminais portuários podem realmente mudar a trajetória da utilização de plásticos no mundo. Agindo agora, será possível construir um futuro mais sustentável para todos.

Share.
Avatar photo

Conteúdo produzido pela equipe do Divirto, portal dedicado a entretenimento e informação.