terça-feira, agosto 18

Euphoria retorna às telas neste domingo, dia 12, mas a série que foi uma das mais influentes nos últimos sete anos apresenta uma nova temporada marcada por mudanças. A produção, que teve uma trajetória turbulenta e lançou apenas 18 episódios em um longo intervalo, agora parece ter se descaracterizado.

A trama avança cinco anos em relação ao final da temporada anterior, exibido em fevereiro de 2022. A personagem Rue, interpretada por Zendaya, segue lutando contra o vício e agora atua como mula de drogas entre os Estados Unidos e o México. Essa mudança de contexto altera o tom da série, que deixa de ser uma história de amadurecimento para se tornar uma espécie de faroeste sobre a busca por dinheiro.

Enquanto Rue navega pelo mundo do narcotráfico, outras personagens também seguem caminhos adultos. Cassie (Sydney Sweeney) planeja uma carreira na plataforma OnlyFans, motivada pelo desejo de atenção e um estilo de vida luxuoso ao lado de Nate (Jacob Elordi). Nate, por sua vez, tenta controlar os negócios da família e os impulsos da noiva.

Outros integrantes do elenco original buscaram carreiras mais convencionais. Lexi (Maude Apatow) tenta se estabelecer como assistente de direção em Hollywood, e Maddy (Alexa Demie) trabalha com relações públicas. Jules (Hunter Schafer) aguarda seu momento na carreira artística e se sustenta através de um relacionamento com um homem mais velho.

Os temas centrais continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo, elementos já presentes desde a primeira temporada. No entanto, a nova temporada perdeu parte da magia e do encantamento que caracterizavam os episódios anteriores. A série agora apresenta um escopo mais difuso, com uma narrativa que parece avançar mais por obrigação do que por uma decisão criativa clara.

A vulgaridade na tela, com cenas de nudez, violência e escatologia, parece ter pouco impacto e não provoca da forma que o criador Sam Levinson possivelmente pretendia. As personagens carecem da humanidade e profundidade observadas em episódios considerados pontos altos da série, como o especial pandêmico focado em Jules.

O que resta na tela é um retrato de gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, amarrado por reflexões consideradas rasas sobre fé e capitalismo. A essência de Euphoria ainda está lá, mas a experiência se assemelha mais a uma missão de um jogo como GTA do que ao drama adolescente originalmente aclamado.

A série, da HBO, é vencedora de nove prêmios Emmy e foi responsável por lançar vários de seus atores ao estrelato global. Sua influência cultural foi significativa, inspirando tendências de moda e comportamento entre jovens. Apesar disso, seu caminho nunca foi convencional para o canal, conhecido por produções longevas.

A nova temporada estreia em um contexto de ausências notáveis no elenco e na equipe, o que contribui para a sensação de que a produção mudou seu curso. A direção e o roteiro parecem ter abandonado o olhar íntimo e particular sobre a juventude para abraçar um cenário mais genérico e violento.

O futuro da série permanece uma incógnita, mas a estreia da temporada atual já deixa claro que a Euphoria que retorna é um produto diferente daquela que conquistou fãs e crítica. A pergunta que fica é se o público seguirá acompanhando essa jornada transformada, agora mais voltada para os vícios e conflitos da vida adulta dos personagens.

Share.
Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

Mapa do portal