A Discussão Sobre o Papel dos Pais na Alienação Parental
A recente declaração de Narcisa Tamborindeguy durante o programa De Frente com Blogueirinha levantou importantes questões sobre a dinâmica familiar. Ao criticar a atenção que seu ex-marido, Boninho, dedica à filha em comparação com sua nova família, Narcisa contribuir para um debate sobre como novas configurações familiares impactam as crianças.
A psicóloga Larissa Fonseca comenta que os conflitos entre pais podem ter consequências graves. Quando um pai critica o outro na presença dos filhos, isso pode diminuir a percepção que a criança tem de ambos. Segundo Larissa, críticas constantes criam um ambiente de alienação parental, onde a criança pode se sentir pressionada e insegura em sua relação com os pais.
A Ameaça ao Pertencimento
As crianças não têm a maturidade para entender discussões complexas entre adultos, como ressentimentos e mágoas. Para elas, essas situações representam uma ameaça à sua sensação de segurança. A psicóloga explica que, ao ouvirem que um dos pais é visto de forma negativa, as crianças não apenas recebem uma opinião, mas sentem isso como um ataque à sua própria segurança e identidade.
Pesquisadores definem a alienação parental como qualquer ação que prejudica a relação da criança com um dos seus cuidadores. Isso inclui palavras e comportamentos que afastam o vínculo emocional, criando fissuras que a criança não consegue compreender. Essa falta de entendimento pode levar a rupturas emocionais que impactam o desenvolvimento.
O Preço do Estresse na Infância
Estudos mostram que crianças que vivem em ambientes de grande tensão parental apresentam níveis elevados de cortisol, o hormônio do estresse. Essa constante sensação de alerta prejudica áreas importantes do cérebro, como memória e regulação emocional, além de afetar o sono. Quando os pais não resolvem suas mágoas, isso pode se transformar em hostilidade, o que, por sua vez, gera irritabilidade e ansiedade nas crianças.
A alienação parental pode surgir a partir de feridas emocionais legítimas, mas acaba se tornando uma forma de vingança. Muitas vezes, a criança é usada como uma “ferramenta emocional”, dificultando o seu desenvolvimento. O comportamento de restringir a convivência ou fazer denúncias sem fundamento pode prejudicar a percepção da criança, que não possui a capacidade de se defender.
Esse ambiente familiar fragmentado tem um impacto significativo no desenvolvimento infantil. A sensação de segurança se torna cada vez mais rara e, com isso, a criança aprende a associar amor e afeto a culpa e condições. Isso prejudica a formação da identidade, criando problemas emocionais que podem surgir na adolescência ou na vida adulta.
A Importância da Segurança Emocional
Para o desenvolvimento saudável, é fundamental distinguir entre os conflitos dos adultos e os direitos das crianças. O término de um relacionamento é uma questão dos pais, mas a segurança emocional dos filhos é vital. Limitar o contato com um dos pais sem uma razão concreta retira da criança a referência essencial para o seu desenvolvimento.
Larissa Fonseca ressalta que ninguém consegue ser um bom pai ou mãe diminuindo o outro. O verdadeiro crescimento e amadurecimento vêm da capacidade de lidar com a dor sem envolver as crianças. O ponto central desse debate é a necessidade de reflexão: “Estamos cuidando do nosso filho ou usando nosso filho para aliviar nossa mágoa?”. Essa é a chave para entender quem realmente está protegendo a criança e quem está envolvido em uma guerra desnecessária.
Caso Jurídico de Alienação Parental
A Dra. Joanne Anunciação, advogada especializada, relata situações de conflitos envolvendo alegações de alienação parental. Em um caso, uma cliente, para punir o ex-parceiro, fez acusações falsas sobre a saúde da criança para restringir sua convivência com o pai. A advogada conseguiu interlocução controlada para a criança, mas a cliente queria uma separação total e chegou a solicitar um pedido sem fundamento para proteção.
A especialista enfrentou ataques após não seguir o desejo da cliente de afastar o pai. Ela manteve sua postura ética em relação ao caso e lembrou que a utilização da legislação como forma de vingança enfraquece quem realmente precisa de proteção.
Uma Reflexão Necessária
Esse tipo de situação nos leva a refletir sobre a seriedade da alienação parental. As ações dos pais não afetam apenas suas próprias relações, mas têm um peso imenso sobre a vida e o futuro emocional das crianças. A proteção do bem-estar delas deve ser a prioridade, e é preciso buscar um diálogo saudável, livre de ressentimentos e vinganças.
Para garantir um desenvolvimento saudável para as crianças, todos os pais devem ter presente que seus conflitos precisam ser resolvidos de forma madura, sem envolver os filhos. O futuro emocional das crianças depende diretamente de como os adultos lidam com a dor da separação e a estrutura familiar.
A alienação parental é um tema sério que requer compreensão e empatia. Todos devemos trabalhar para garantir que as crianças se sintam seguras, amadas e confiantes, Independentemente da nova estrutura familiar que se forma após um divórcio ou separação. O cuidado e amor dos pais devem ser uma constante, e a segurança emocional das crianças deve estar sempre em primeiro lugar.