O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, “implorou” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. A declaração foi feita em entrevista a uma TV italiana. Meloni negou a história e classificou as falas como “completamente inventadas”. A premiê italiana disse estar “surpresa” com a versão de Trump e o repreendeu por atacar aliados.
A relação entre Trump e Meloni, que antes eram aliados próximos, começou a mudar em abril. Meloni criticou o presidente norte-americano depois que ele chamou o papa Leão XIV de “fraco” por condenar a guerra no Irã. Ela afirmou considerar “inaceitáveis” as palavras de Trump em relação ao Santo Padre. Um dia depois, Trump respondeu dizendo estar “chocado” com a postura da líder italiana e afirmou acreditar que ela não tinha coragem. “Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país”, declarou.
O distanciamento entre os dois, no entanto, começou meses antes do episódio envolvendo o papa. Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times avaliam que Meloni aproveitou o momento para sinalizar ao público interno um afastamento de Trump. Isso ocorreu em meio a pesquisas que indicam aumento da impopularidade de ambos entre eleitores italianos.
Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump. A aproximação começou antes mesmo de ela chegar ao poder. Em 2018, ela recebeu o ex-conselheiro de Trump Stephen Bannon em uma conferência conservadora na Itália. No ano seguinte, Meloni participou de um evento conservador nos Estados Unidos e discursou no mesmo dia que Trump. Quando Trump retornou à Casa Branca, em 2025, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse.
O clima começou a mudar em abril do ano passado, quando Trump anunciou tarifas comerciais contra dezenas de países, incluindo aliados europeus. Meloni afirmou que os Estados Unidos estavam tomando a decisão errada. Ainda assim, naquele mesmo mês, a premiê viajou a Washington e se reuniu com Trump na Casa Branca. Em outubro, os dois protagonizaram um momento inusitado durante um evento no Egito. Trump disse que Meloni era “linda” e “incrível” durante um discurso.
Em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã em ação conjunta com Israel, a Itália foi surpreendida. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados Árabes e precisou ser resgatado em um jato militar. A oposição criticou a situação. Pesquisas apontaram que os italianos não apoiavam a ofensiva norte-americana. Diante disso, Meloni passou a condenar a guerra e afirmou que a Itália não participaria do conflito. A premiê também se recusou a permitir que caças dos EUA utilizassem uma base aérea na Sicília em operações de combate no Irã.
Na terça-feira, em mais um movimento, Meloni anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel. A medida foi adotada após disparos de advertência atingirem um comboio italiano que integra a missão de paz da ONU no sul do Líbano. Analistas ouvidos pela Associated Press afirmam que a decisão foi motivada mais pela política interna do que por uma mudança estratégica. Trump insistiu que a relação entre os dois países se deteriorou. “Ela tem sido negativa”, disse em entrevista à Fox News.