quarta-feira, agosto 19

O Magalu registrou lucro líquido ajustado de R$ 124 milhões no trimestre, uma redução de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor, no entanto, foi mais que o dobro do esperado pelo consenso do Bloomberg, que era de R$ 55,7 milhões, beneficiado por créditos tributários.

De acordo com o CEO Fred Trajano, o resultado acima do esperado veio de uma escolha da empresa de focar em segmentos e canais com maior rentabilidade. A principal consequência dessa estratégia foi observada no marketplace.

As vendas no canal de terceiros (3P) recuaram 11,7% no trimestre. Essa queda foi puxada principalmente pela menor venda de itens com baixo valor agregado. Por outro lado, as vendas nas lojas físicas já existentes (same-store sales) tiveram alta de 8,4%.

“Crescemos onde a gente acreditava que tinha mais contribuição positiva – e onde tinha mais contribuição positiva no ano passado era em loja física”, afirmou Fred Trajano.

A receita líquida da companhia totalizou R$ 11,1 bilhões, com crescimento de 3,4% na comparação anual, ficando em linha com as projeções do mercado.

O EBITDA ajustado subiu 2,5% no período, para R$ 867 milhões, enquanto a expectativa era de R$ 833 milhões.

Novo ciclo estratégico com foco em IA

Fred, que completou dez anos como CEO, disse que a empresa inicia um novo ciclo estratégico, centrado principalmente em Inteligência Artificial (IA). Isso ocorre após a fase de construção do seu ecossistema, concluída nos últimos cinco anos.

O objetivo atual é extrair valor dos ativos criados anteriormente, como MagaluPay, Magalog, Magalu Cloud, KaBuM!, Netshoes e Época Cosméticos, aumentando a rentabilidade e a integração entre esses negócios.

Para o executivo, a vantagem do Magalu está na capacidade de unir lojas físicas, comércio eletrônico e serviços em uma mesma infraestrutura. A ideia é aplicar essa lógica a outras empresas do grupo.

Isso inclui dar mais espaço nas lojas físicas para produtos da KaBuM! e da Época, por exemplo, e retomar a abertura de lojas, especialmente no formato Galeria Magalu, que reúne diferentes verticais da companhia em um único local. A rede terminou o ano com 1.246 lojas.

Oportunidade na AI e reposicionamento

Fred Trajano afirmou que a maior oportunidade está na agentic AI (IA agentiva). Segundo ele, a jornada de compra online deve migrar de um modelo baseado em busca para uma experiência conversacional, impulsionada por agentes de IA.

Por isso, a empresa planeja ampliar seu AI commerce. Fred citou que 58% das pessoas no Brasil já usam IA e, dentre essas, 60% estão abertas a usar assistentes virtuais para fazer compras.

O WhatsApp da Lu, avatar virtual da empresa, apresenta taxa de conversão três vezes maior que a de outras verticais e um NPS de 83 pontos. Cerca de 3 milhões de pessoas já usaram a plataforma.

“Sem dúvida a evolução mais significativa que eu vi nesses 25 anos de ecommerce é a que estamos vivendo agora”, declarou o CEO.

O novo ciclo também envolve reposicionar o e-commerce da companhia, priorizando produtos de marca e um nível de serviço mais alto. Fred descreve esse modelo como um “brand place”, com maior curadoria de vendedores e foco em categorias onde a empresa tem diferenciação.

A estratégia é equilibrar crescimento e rentabilidade, concentrando investimentos em áreas com maior contribuição positiva. Ou seja, o Magalu está abrindo mão de participação de mercado para vender produtos com maior margem.

“A curadoria se dá no sentido de focar menos produtos unbranded, white labels, e mais produtos de marca, onde temos um grande diferencial”, explicou.

Desempenho da Luizacred e perspectivas

O CEO também mostrou otimismo com o crescimento da Luizacred, um dos pilares para diversificar a receita e reduzir a dependência do varejo. No ano passado, a Luizacred lucrou R$ 525 milhões, com ROE de 25%. O negócio é uma joint venture dividida igualmente com o Itaú Unibanco.

A maioria dos clientes segue adimplente. O índice NPL 15, que mede inadimplência entre 15 e 90 dias, foi de 2,4% da carteira total em dezembro, uma melhora de 0,3 ponto percentual. O NPL 90, para atrasos acima de 90 dias, ficou em 7,5% no fim do ano, uma queda de 0,6 ponto percentual.

“Estamos apostando que esse negócio vai continuar crescendo, principalmente aumentando a penetração no online, porque a penetração é alta em loja e no online é baixa”, disse Fred.

Para o primeiro semestre, ele acredita que o Magalu ainda enfrentará um mercado mais turbulento, mas eventos como a Copa do Mundo podem impulsionar a venda de produtos com melhor margem, como televisores.

O CEO está mais otimista em relação ao segundo semestre, especialmente com a expectativa de queda na taxa de juros.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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