quinta-feira, agosto 20

Estudantes do Rio Grande do Norte acumulam mais de R$ 1,2 bilhão em dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), cerca de 31,6 mil contratos firmados até 2017 estão em atraso no estado. O valor médio da dívida por beneficiário é de aproximadamente R$ 40 mil.

O não pagamento das parcelas compromete a sustentabilidade do programa, de acordo com o MEC. A pasta informou que o pagamento regular é uma fonte importante de receita para o Fundo. O desafio se intensifica porque a dívida se estende por anos, com média de 15 anos para quitação.

O perfil dos devedores mostra que mais de 72% têm até 30 anos e 62% dos contratos são de mulheres. São pessoas no início da vida profissional, com poucas oportunidades no mercado de trabalho e renda instável.

Para o economista Janduir Nóbrega, o volume bilionário de dívidas afeta a economia local. Ele afirma que, se a dívida tivesse sido quitada no tempo devido, teria gerado circulação de recursos, emprego e consumo. O economista William Pereira reforça que, ao renegociar e começar a pagar, milhões passam a circular mensalmente na economia.

O impacto dessas dívidas faz parte da trajetória de muitos potiguares. A nutricionista Jéssica Nascimento, de 28 anos, concluiu a graduação graças ao Fies, mas demorou para conseguir trabalho na área. Ela acumulou uma dívida que ultrapassava R$ 49 mil e foi quitada por cerca de R$ 15 mil após negociação. Hoje, sem a dívida, ela conseguiu financiar sua casa e ter acesso a crédito.

Já a enfermeira Amanda Carolinne, de 33 anos, consegue pagar o financiamento, mas reclama do peso no orçamento mensal. Com uma dívida em torno de R$ 24 mil, ela afirma que no início o programa ajudou muito, mas hoje é um fardo.

Os economistas consultados avaliam que o principal problema não está no programa, mas nas dificuldades do mercado de trabalho. William Pereira afirma que o mercado não gera renda suficiente para esses jovens pagarem suas dívidas. Janduir Nóbrega acrescenta que o mercado do RN ainda é limitado, com salários mais baixos.

Desenrola Fies

O governo federal lançou o Desenrola Fies, que permite renegociar dívidas com condições facilitadas. A adesão pode ser feita até 31 de dezembro deste ano pelos canais do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. As condições incluem parcelamento e descontos que variam conforme cada perfil.

Dados do Banco do Brasil indicam que mais de 25 mil contratos já foram renegociados no país. A medida busca aliviar o endividamento dos estudantes e garantir a sustentabilidade do programa de financiamento estudantil.

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Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

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