quarta-feira, agosto 19

Os Correios suspenderam parte do plano de reestruturação que estava em andamento desde o ano passado. A medida foi tomada neste mês diante da ameaça de greve dos funcionários. Entre as ações paralisadas estão o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para atendentes ao público e a adoção de um sistema de mapeamento de recursos para entregas.

A suspensão ocorre em um momento em que a direção da estatal, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A empresa fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária. O objetivo é permitir que as entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa disse que outras ações do plano, como venda de imóveis e contenção de despesas, continuam em vigor.

Até o momento, 256 agências já tiveram as atividades encerradas. A meta inicial era fechar 1.000 unidades, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões. A suspensão do fechamento vale até 31 de julho de 2026, segundo carta enviada a sindicalistas.

A direção também se comprometeu a interromper a retirada do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e do Quebra de Caixa. O sistema de dimensionamento de distribuição também foi suspenso. As medidas foram propostas como resposta ao movimento grevista, que havia indicado uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno, os trabalhadores recuaram e mantiveram apenas o estado de greve.

O novo programa de demissão voluntária (PDV) será voltado exclusivamente para as unidades que serão fechadas, que têm 7 mil funcionários. Em uma primeira iniciativa de desligamento voluntário neste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, abaixo da meta de 10 mil. A economia alcançada foi de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado diante da grave crise financeira da estatal. Ele era uma condição do governo para que o Tesouro Nacional autorizasse um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a empresa.

Share.
Cristina Leroy Silva, autora do portal
Cristina Leroy Silva

Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados

Mapa do portal