A trajetória de Andressa Urach é uma das mais intrigantes da cultura pop brasileira. Atualmente, ela se destaca como uma influenciadora em plataformas de conteúdo adulto e surpreendeu muitos ao anunciar que será musa da Porto da Pedra no Carnaval de 2026. Essa notícia chama atenção, não apenas pela popularidade atual dela, mas porque por quase uma década, Andressa se opôs ao Carnaval, usando sua voz para criticar a festa que a tornou famosa.
Essa mudança de postura começou em um momento difícil de sua vida. Em 2014, Andressa enfrentou uma grave infecção causada por hidrogel aplicado nas pernas, o que a levou a uma experiência de quase morte. Após esse episódio, ela teve uma transformação significativa em sua visão de mundo e passou a buscar refúgio na religião, convertendo-se à Igreja Universal do Reino de Deus. Nesse processo, a “musa das passarelas” deu espaço a uma mulher que via a exposição do corpo e a festa como caminhos para a perdição espiritual.
### 1. O discurso da conversão e a demonização da folia
Durante o tempo que esteve na igreja, Andressa adotou uma postura firme em relação ao seu passado. Em várias entrevistas e nas redes sociais, ela afirmava que o Carnaval era um lugar cheio de “energias negativas” e “pecado”. Para ela, desfilar nua ou seminua deixou de ser um marco profissional e passou a ser visto como uma forma de objetificação que ela prometeu nunca mais repetir.
Andressa pediu desculpas publicamente pelas vezes em que usou roupas mínimas na avenida, explicando que buscava a aprovação dos homens, enquanto agora, seu foco estava na aprovação divina. Esse discurso gerou forte repercussão entre seus seguidores, criando uma imagem de santidade que contrastava com a Andressa que o Brasil conheceu em competições como o Miss Bumbum e “A Fazenda”. Ela se tornou uma das principais críticas da liberdade sexual e das festas populares, pregando que a verdadeira felicidade estava na discrição.
### 2. A repressão e a perda da identidade
Anos depois, Andressa se desligou da igreja em meio a processos judiciais para reaver doações que havia feito. Nesse período, ela começou a compartilhar os bastidores emocionais daquela fase. Ela revelou que a negação do Carnaval não era apenas uma escolha espiritual, mas também resultado de uma pressão institucional que a fazia sentir culpa por sua própria essência. Andressa se sentia podada e a anulação de sua feminilidade e de sua história artística gerou um vazio emocional profundo.
Durante essa fase, Andressa evitava até mesmo passar perto de ensaios de escolas de samba. Ela aprendeu a ver a alegria do Carnaval como algo passageiro e perigoso. O distanciamento foi tão intenso que ela chegou a descartar todos os registros de carnavais passados, tentando apagar a lembrança da mulher que um dia destacou-se na Sapucaí e no Anhembi. Essa “autoexclusão” durou até 2023, quando começou a planejar seu retorno à vida pública sem as amarras da religião.
### 3. O retorno triunfal e a reconciliação com o corpo
O anúncio de que Andressa será musa da Porto da Pedra marca o fim desse ciclo de negação. Para ela, esse retorno não é apenas uma estratégia de marketing, mas uma verdadeira libertação. Agora, Andressa acredita que sua espiritualidade não precisa ser medida pelo que veste ou onde dança. Ela vê a maturidade como um fator que a permitiu entender isso.
A preparação para o Carnaval de 2026 tem sido intensa. Andressa está investindo bastante em procedimentos estéticos e rotinas de treino para estar em ótima forma. No entanto, ela ressalta que a maior mudança é interna. Antes, desfilava para “chocar” e depois se isolou por “culpa”. Agora, ela tem uma nova proposta: subir na avenida para celebrar sua sobrevivência e a autonomia de seus desejos. A fase em que criticava a folia é vista como uma etapa necessária, mas que não define quem ela é neste momento.
### 4. O impacto no mundo das celebridades
O retorno de Andressa à Sapucaí gera diferentes reações e agita os bastidores das escolas de samba. Enquanto alguns celebram a volta de uma figura tão midiática, outros questionam a coerência de alguém que passou tanto tempo atacando o Carnaval. Para o público, a trajetória de Andressa é um exemplo da mudança constante na vida artística. Isso revela que rótulos nunca são permanentes.
O enredo da Porto da Pedra, que promete uma noite repleta de mistérios e transformações, parece o cenário ideal para que Andressa se reconcilie com sua imagem passada. Com o apoio de seu filho, Arthur, que está sempre ao seu lado, ela vê 2026 como o ano de sua “recoroação”. O capítulo em que Andressa era contra o Carnaval representa, no máximo, um contraponto dramático que ela pretende usar para expressar sua nova liberdade ao cruzar a linha de chegada do desfile.
A transformação de Andressa Urach é uma história de superação e autoconhecimento. As decisões que tomou ao longo de sua jornada mostram como ela navegou por diferentes fases de sua vida, buscando sempre um sentido maior. Agora, ao retornar ao Carnaval, Andressa se mostra pronta para abraçar tanto seu passado quanto seu presente, celebrando a liberdade que encontrou ao longo do caminho.