Quando se fala em sabor doce, a dúvida entre açúcar e adoçante sempre aparece. O tema está presente nas redes sociais, onde muitos se perguntam: “Qual é a melhor escolha?”. Celebridades dizem ter trocado o açúcar pela stevia, enquanto influenciadores se desafiam a passar 30 dias sem açúcar, substituindo-o por alternativas consideradas mais saudáveis. Mas será que essa troca é realmente a solução?
A resposta não é única. O que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra, já que fatores como saúde, quantidade consumida e a forma como cada um se relaciona com a doçura influenciam na decisão.
### O papel do açúcar no organismo
O açúcar é um carboidrato que fornece energia rápida ao corpo. O problema não está no açúcar em si, mas sim na quantidade que consumimos. No Brasil, a ingestão de açúcar ultrapassa quase duas vezes o que a Organização Mundial da Saúde recomenda. O ideal seria que o açúcar representasse no máximo 10% das calorias diárias, e o ideal é manter esse número abaixo de 5%.
Consumir açúcar em excesso está associado a várias problemas de saúde, como inflamações, resistência à insulina, diabetes, doenças cardíacas e cáries. Portanto, ao invés de eliminar o açúcar completamente, o foco deve ser ajustar o paladar. Com menos exposição ao sabor doce, a vontade de consumi-lo tende a diminuir.
### O que são adoçantes?
Os adoçantes são produtos que adicionam doçura aos alimentos com poucas ou até nenhuma caloria. Eles podem ser artificiais, como sucralose, aspartame e acessulfame-K, ou naturais, como stevia, xilitol e eritritol.
Para pessoas com diabetes, os adoçantes são importantes aliados. Eles ajudam a controlar o açúcar no sangue, diminuem os picos glicêmicos e aumentam as opções alimentares. É importante usar esses produtos de maneira responsável, respeitando as quantidades recomendadas. Os adoçantes naturais e a sucralose são os mais indicados.
Para quem não possui diabetes, a história é diferente. O uso constante de adoçantes, mesmo os naturais, pode alterar o paladar e dificultar a adaptação em uma nova alimentação. Estudos recentes mostram que o consumo frequente pode afetar negativamente a microbiota intestinal.
Embora proporcionem doçura sem aumentar a glicemia e com poucas calorias, os adoçantes não são a solução para todos os problemas. O uso deles deve ser feito com cautela, sempre considerando o perfil de cada pessoa.
### Intestino e polióis
Os polióis, como xilitol, eritritol, maltitol, manitol e sorbitol, também são adoçantes de baixo índice glicêmico. No entanto, o intestino pode não reagir bem a eles. Esses compostos têm a absorção limitada e chegam quase intactos ao cólon, onde são fermentados pelas bactérias intestinais. Isso pode causar gases, inchaço, diarreia e mal-estar, especialmente em pessoas sensíveis ou que ingerem grandes quantidades.
### Comportamento alimentar infantil
No caso de crianças que não têm diabetes, o uso de adoçantes, mesmo os naturais, não é recomendado. Instituições de saúde afirmam que faltam evidências sobre a segurança do consumo desses produtos na infância. O uso precoce pode afetar a percepção do sabor e dificultar o gosto por frutas, legumes e alimentos menos doces. Também pode afetar a microbiota, que ainda está em formação.
Outro ponto a se considerar é que quanto mais cedo as crianças associam o doce ao prazer, maior a tendência de preferirem alimentos ultraprocessados no futuro.
### A importância do equilíbrio
Para aqueles sem restrições de saúde, o ideal é reduzir a quantidade de doce na alimentação, seja através do açúcar ou dos adoçantes. Uma estratégia prática é usar frutas frescas, secas ou legumes adocicados para dar sabor aos pratos. Outra abordagem é diminuir gradualmente a quantidade. Por exemplo, quem adoça o café com duas colheres de chá de açúcar pode tentar usar uma, seguindo essa lógica também com adoçantes.
A chave é treinar o organismo para depender menos do sabor doce e valorizar o gosto natural dos alimentos. Na prática, o melhor adoçante é aquele que se utiliza em menor quantidade. É importante notar que não há diferença significativa em calorias ou impacto glicêmico entre açúcar mascavo, demerara, cristal ou refinado; todos eles têm a mesma origem. As pequenas diferenças em nutrientes não são relevantes, já que esses devem vir de frutas, grãos, legumes e verduras, não do açúcar. Assim, a escolha deve ser pela versão que você consegue consumir em menor quantidade.
### Considerações Finais
Optar entre açúcar e adoçante não deve ser uma decisão impulsiva. Avaliar o próprio corpo e entender como cada opção afeta sua saúde é fundamental. Infelizmente, não existe uma resposta universal; cada um deve encontrar o que funciona melhor para si mesmo.
A adoção de uma alimentação mais equilibrada é um caminho que exige paciência e estratégia. Reduzir a ingestão de alimentos doces e dar prioridade a opções naturais é sempre uma escolha sábia. Um paladar menos acostumado ao doce pode abrir portas para uma alimentação mais variada e nutritiva.
Finalmente, lembre-se: o importante é encontrar um meio-termo que promova saúde e bem-estar. A doçura pode ainda fazer parte da rotina, mas com moderação e consciência.