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Mãos de eletricista conectando fios em um quadro com disjuntores e relés
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Trocar a fiação da casa: sinais, custo e como fazer sem parar a casa

Isolamento que quebra ao dobrar e fio de alumínio encerram a fase do remendo, e o conduíte decide o resto.

Por · · 6 min de leitura

Mãos de eletricista conectando fios em um quadro com disjuntores e relés

A casa tem quarenta anos, o fio atrás da tomada quebra quando o eletricista tenta dobrá-lo e o quadro ainda tem fusível de rosca. O morador pergunta se dá para ir remendando. Dá, por um tempo. A pergunta certa é outra: quando trocar a fiação inteira deixa de ser luxo e vira a única opção segura. Este texto responde a ela com os sinais que a instalação dá, o que a troca envolve, quanto custa e como fazer sem quebrar a casa toda.

Ao final há um roteiro de decisão, uma tabela com os sinais e o grau de urgência de cada um, e as perguntas que mais aparecem de quem está diante desse orçamento. A ideia é saber o que se compra antes de comparar preço.

Por que a fiação envelhece

O cobre dura. O que envelhece é o isolamento de PVC em volta dele, que resseca com o calor, perde a flexibilidade e trinca. Fio que esquentou muitas vezes por sobrecarga envelhece mais rápido, e o de instalação dos anos 1970 e 1980 tinha isolamento mais fino do que o atual.

Existe ainda a fiação de alumínio, usada em algumas construções daquela época por ser mais barata. Ela oxida nas conexões, afrouxa com a dilatação e é responsável por boa parte dos incêndios em prédio antigo.

A norma NBR 5410 mudou várias vezes desde então. Casa que nunca passou por reforma elétrica está fora dela em fio terra, em DR, em bitola mínima e em número de circuitos.

Trocar a fiação: sinais e urgência

A tabela reúne os sinais que a instalação dá, o que cada um significa e o quanto pode esperar.

SinalO que indicaUrgência
Isolamento quebra ao dobrar o fioPVC ressecado no fim da vidaAlta: trocar o circuito
Fio de alumínio nas tomadasConexões oxidam e esquentamAlta: trocar a instalação
Tomadas de dois pinos, sem terraInstalação anterior à exigência de terraMédia: passar terra ou trocar
Poucos circuitos e disjuntor caindoCasa dimensionada para outra épocaMédia: redistribuir e ampliar
Cheiro de queimado ou tomada escurecidaPonto quente ativoImediata
Quadro com fusível de rosca ou de cartuchoSem proteção contra fuga nem contra surtoMédia: trocar o quadro

Dois sinais de urgência alta juntos, ou qualquer um de urgência imediata, encerram a fase do remendo. Um eletricista residencial e comercial em Goiânia faz o levantamento em uma visita: abre três ou quatro pontos, olha o quadro, mede a isolação dos circuitos e diz se a troca é de um circuito, de um cômodo ou da casa inteira.

O que a troca envolve

O serviço não é só puxar fio novo. A sequência abaixo é a ordem em que ele acontece, e serve para conferir se o orçamento cobre tudo.

  1. Levantamento de carga: o que a casa tem e o que vai ter, cômodo por cômodo.
  2. Projeto dos circuitos: quantos, com qual bitola, quais com disjuntor próprio.
  3. Quadro novo com disjuntores dimensionados, DR nas áreas molhadas e DPS na entrada.
  4. Passagem dos cabos pelos conduítes existentes, com guia, e abertura de novos onde o conduíte está entupido ou não existe.
  5. Troca de tomadas e interruptores pelo padrão atual, com terra em todos os pontos.
  6. Aterramento com haste, medição final e teste de cada circuito.

Precisa quebrar a parede?

Nem sempre. Se a instalação original tem eletroduto contínuo e desobstruído, o cabo novo é puxado com o velho servindo de guia, e a parede fica intacta. É o caso de boa parte das casas de alvenaria com eletroduto de PVC.

Quando o eletroduto está quebrado, cheio ou simplesmente não existe, como em casa em que o fio foi embutido direto no reboco, o eletricista abre rasgos ou opta por canaleta e eletroduto aparente, comum em imóvel comercial e em quem não quer reboco novo.

A visita de levantamento responde isso com uma guia e três pontos abertos. Orçamento fechado sem essa visita é chute.

Quanto custa em 2026

A referência praticada em Goiânia para troca completa em residência fica entre R$ 60 e R$ 120 o metro quadrado de área construída, com material e mão de obra, quando o eletroduto serve. Um apartamento de 70 metros sai entre R$ 4.500 e R$ 8.500; uma casa de 150 metros, entre R$ 9.000 e R$ 18.000.

Com rasgo em parede, reboco e pintura, o valor sobe de 30% a 60%. Com quadro em local novo ou padrão de entrada a trocar, some o custo dessas frentes.

Por circuito, para quem não pode fazer tudo de uma vez, começa-se pelos de maior risco: chuveiro, cozinha e ar condicionado. Os de iluminação ficam por último.

Como fazer sem parar a casa

A obra elétrica pode ser feita por etapas, cômodo a cômodo, mantendo os outros circuitos ligados. O eletricista isola o circuito em troca, trabalha nele e religa no fim do dia. Uma casa média leva de três a seis dias assim.

O quadro novo entra no primeiro dia, ao lado do antigo, e os circuitos migram um a um. No último dia o quadro velho sai.

O morador pode ajudar tirando móveis da frente de tomadas e interruptores e liberando o acesso ao forro, que é por onde passa boa parte do serviço.

O que aproveitar na mesma obra

Com o quadro aberto e os eletrodutos livres, o custo marginal de alguns acréscimos é baixo. Entram circuito dedicado para cada ar condicionado, tomadas de 20 ampères na cozinha, ponto para carregador de carro elétrico na garagem e cabeamento de rede em tubo separado.

Também é a hora de instalar o DR em todas as áreas molhadas e o DPS contra surto de raio, que Goiás tem em abundância entre outubro e março.

Deixar para fazer depois significa abrir tudo de novo.

Perguntas frequentes sobre trocar a fiação

Quando a troca é obrigatória?

Quando o isolamento se parte ao dobrar, quando há condutor de alumínio ou quando aparece ponto quente ativo. Fora disso, a troca é recomendada em instalação com mais de trinta anos sem reforma.

Precisa quebrar a parede?

Não, quando o eletroduto está contínuo e livre. O fio velho serve de guia para o novo. Só se abre onde ele está entupido ou não existe.

Quanto custa em um apartamento?

Entre R$ 60 e R$ 120 por metro quadrado em Goiânia, com material, quando não há rasgo. Um apartamento de 70 metros fica entre R$ 4.500 e R$ 8.500.

Dá para trocar por partes?

Dá. Começa pelos circuitos de maior risco, como chuveiro, cozinha e ar condicionado, e o quadro novo recebe os circuitos aos poucos.

Alumínio precisa mesmo sair?

Sim. Ele oxida nas conexões e afrouxa com a dilatação, e está ligado a boa parte dos incêndios em prédio antigo.

Quanto tempo leva?

De três a seis dias para uma casa média feita por etapas, sem parar os outros circuitos. Com rasgo e reboco, mais uma semana.

Resumo

Trocar a fiação deixa de ser opção quando o isolamento se parte ao dobrar, quando o condutor é de alumínio ou quando há ponto quente ativo; tomadas sem terra, poucos circuitos e quadro com fusível indicam que o dia está próximo. A troca envolve levantamento, projeto, quadro novo com DR e DPS, passagem por conduíte e aterramento, e só exige quebrar parede onde o eletroduto não serve. Em Goiânia custa de R$ 60 a R$ 120 o metro quadrado, pode ser feita por circuito e é o momento de deixar prontos os pontos de ar condicionado, cozinha e carro elétrico.

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