quinta-feira, março 19

Uma das três páginas desaparecidas do palimpsesto de Arquimedes, um manuscrito do século 10 com cópias dos tratados do cientista grego, foi descoberta em um museu da França.

Físico, astrônomo, matemático e engenheiro, Arquimedes viveu de 287 a 212 a.C. em Siracusa. Sua obra chegou até nossa época, especialmente o famoso princípio que leva seu nome.

Um palimpsesto é um pergaminho cujo texto original foi apagado para ser reutilizado, uma prática comum na época, já que o material tinha alto valor.

Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi quem encontrou a página. Ela estava no Museu de Belas Artes de Blois, no centro do país.

Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10. Mais tarde, por volta dos séculos 12 e 13, foram apagados e reciclados para virar um eucológio, um livro de orações para a liturgia. A pesquisa de Gysembergh foi publicada no dia 6 de março na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.

A história do palimpsesto, único no mundo, foi incomum. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg (1791-1860) o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele fotografou o documento página por página.

Porém, o manuscrito desapareceu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Ele reapareceu em 1996 na França, em uma coleção privada, por ocasião de um leilão.

Nesse período, porém, sumiram três das 177 páginas do palimpsesto. A que Gysembergh encontrou em Blois é uma delas. A descoberta aconteceu um pouco por acaso, segundo o pesquisador.

Ele mencionou para colegas que parte da biblioteca dos reis da França estava preservada em Blois e sugeriu procurar por um palimpsesto lá. A busca foi feita pelo Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados.

Ao encontrar um manuscrito grego, ele ficou surpreso. A surpresa foi maior ao se tratar de um tratado científico do século 10.

Gysembergh comparou a página encontrada com as fotos tiradas em 1906, disponíveis online pela Biblioteca Real da Dinamarca. O estilo da escrita, cada letra e uma figura geométrica presente eram exatamente os mesmos. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.

A página tem, de um lado, o texto da cópia bem visível, e do outro, um desenho mais recente. Esse desenho provavelmente foi adicionado no século 20 por um proprietário, na tentativa de aumentar o valor do documento.

O pesquisador espera poder realizar, no próximo ano, uma análise para decifrar o texto por completo.

A descoberta traz nova esperança de encontrar um dia as outras duas páginas que faltam. Até esse achado, não havia motivos para acreditar que elas poderiam ser encontradas. Agora, instituições ou colecionadores privados que tenham manuscritos similares podem verificar se não são as páginas perdidas.

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Formada em letras pela UNICURITIBA, Cristina Leroy começou trabalhando na biblioteca da faculdade como uma das estagiárias sênior. Trabalhou como revisora numa grande editora em São Paulo, onde cuidava da parte de curadoria de obras que seriam traduzidas/escritas. A 4 Anos decidiu largar e se dedicar a escrever em seu blog e sites especializados