A História de Andressa Urach: Um Retorno ao Carnaval
A trajetória de Andressa Urach é uma das mais intrigantes da cultura pop no Brasil. Ela ganhou notoriedade como vice-Miss Bumbum e, posteriormente, passou por uma transformação radical em sua vida, incluindo uma conversão religiosa que mudaria sua visão sobre muitos aspectos, incluindo o Carnaval. Em 2026, ela se prepara para um retorno polêmico ao desfile na Marquês de Sapucaí.
Andressa foi anunciada como musa da Unidos do Porto da Pedra. Esse retorno não é apenas uma volta ao samba; representa uma luta contra fantasmas de um passado que ela gostaria de deixar para trás. Durante anos, ela esteve ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, onde o Carnaval era tratado como uma “prática demoníaca”. Agora, aos 38 anos, ela reflete sobre essa fase de vida e considera sua participação no desfile como uma maneira de se reconectar com sua própria história.
1. O Silêncio de Uma Década
Para compreender o significado do retorno de Andressa ao Carnaval, é preciso olhar para os últimos dez anos. Após uma grave complicação de saúde, que quase lhe custou a vida devido à aplicação de hidrogel, ela se voltou para a religião. Nesta nova fase, adotou um estilo de vida conservador e abandonou roupas curtas, condenando a exposição do corpo.
Ela revela que, durante esse tempo, o Carnaval se tornou um tabu. “Era um assunto proibido para mim”, diz Andressa. A repressão que enfrentou não vinha apenas de crenças religiosas, mas também de uma vigilância constante de si mesma. Ela evitava até ver os desfiles na televisão, com medo de que a atmosfera vibrante da festa pudesse corromper sua nova identidade.
2. A Anulação da Identidade
O afastamento de Andressa do Carnaval foi muito mais profundo do que uma mera ausência física. Foi uma tentativa de apagar parte de sua história, uma autoanulação. Ela afirma: “Eu me anulei em várias áreas”. Negar sua conexão com o Carnaval significava negar a Andressa que o Brasil conheceu nos anos 2010.
Lidar com essa separação simbólica foi doloroso. Ela teve que cortar laços com amigos e ignorar sua paixão pelo espetáculo. Aos 38 anos, Andressa exerce um olhar crítico sobre esse período. Ela reconhece agora que a decisão de se afastar do Carnaval fazia sentido na perspectiva de sua fé, mas a “Andressa anulada” já não existe mais. O retorno à Sapucaí simboliza a recuperação de uma parte de si mesma.
3. Ressignificação: A Fé e o Carnaval
Um dos aspectos mais discutidos em sua nova fase é como ela lida com sua espiritualidade. Segundo Andressa, voltar ao Carnaval não significa repudiar seu passado ou sua fé. “Eu mudei”, explica. Essa nova compreensão é fundamental para sua identidade.
Andressa acredita que amadurecer lhe permite tomar decisões sobre sua vida pessoal e profissional, sem que isso a afaste de sua ligação espiritual. Para ela, participar do Carnaval é uma celebração da liberdade. A modelo, agora uma influenciadora digital de sucesso, vê a festa na avenida como uma expressão artística, não como algo pecaminoso.
4. Porto da Pedra: O Convite
A escolha de integrar a Unidos do Porto da Pedra não foi aleatória. A escola de samba, que desfila na Série Ouro com o enredo “Das Mais Antigas do Mundo, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, acolheu Andressa em um momento crucial de sua vida. O enredo, que fala sobre mistérios da noite, se conecta muito com a trajetória de Urach.
Ela menciona que o convite carregou um forte simbolismo. Para ela, essa decisão não foi impulsiva. “Eu senti que estava pronta para voltar”, afirma. Fazer parte da Porto da Pedra representa uma validação de sua trajetória, mostrando que o Carnaval ainda a respeita, apesar de toda a polêmica ao seu redor.
5. Preparação Intensa para o Desfile
O treinamento de Andressa para o desfile de 14 de fevereiro de 2026 tem sido rigoroso. Após várias cirurgias, ela agora se dedica ao condicionamento físico. Desfilar como musa exige fôlego, já que o percurso na avenida é longo e cansativo, algo que ela não faz há anos.
Além da dieta e do treinamento físico, Andressa investe também em sua saúde mental. Ela sabe que será o centro das atenções e que as críticas virão, mas demonstra uma confiança renovada. Aos 38 anos, afirma se sentir mais bonita e poderosa do que quando tinha 20, atribuindo essa segurança à liberdade financeira e à autonomia sobre sua imagem.
6. Expectativas para o Grande Dia
O desfile da Porto da Pedra promete ser um dos momentos mais comentados do Carnaval de 2026. Andressa Urach encerra suas reflexões com um tom de esperança, já se sentindo realizada antes mesmo de pisar na avenida. “Estou voltando com o coração aberto”, diz. Para ela, atravessar a linha final do desfile será a prova final de que ela retomou o controle sobre sua história.
O público pode esperar uma Andressa plenamente envolvida em seu papel como musa, ciente dos riscos da fama. O enredo da escola traduz a complexidade de sua vida: cheia de altos e baixos, glórias e desafios, sua história agora se encontra com a brilho do Carnaval. Para Andressa, 2026 simboliza sua libertação de quaisquer barreiras que a afastassem do samba.
Conclusão
Andressa Urach não é apenas uma figura pública que voltou ao Carnaval. Sua história revela uma complexidade emocional e uma jornada de autodescoberta. Em 2026, ao lado da Unidos do Porto da Pedra, ela não só resgatará uma parte significativa de sua identidade, como também mostrará que é possível equilibrar fé e liberdade de expressão. O Carnaval será não apenas uma festa, mas um verdadeiro rito de passagem para a nova Andressa, que se reinventa em cada passo na avenida.