terça-feira, fevereiro 3

A discussão sobre critérios ESG, que abrangem aspectos ambientais, sociais e de governança, deixou de ser um assunto secundário e passou a ser central na estratégia de empresas, especialmente aquelas que operam em setores que usam muitos recursos naturais. No Brasil, onde a indústria extrativa é fundamental para a economia, esse tema adquire uma nova complexidade. A gestão de João Araújo, que lidera a Mineração Buritirama, é um exemplo de como o mercado busca conciliar produção eficaz com responsabilidade em relação ao território.

A pressão por essa mudança está baseada em dados concretos sobre risco e capital. Um relatório recente da consultoria EY mostrou que as questões relacionadas ao ESG estão, há anos, no topo das preocupações de investidores e diretores de empresas do setor de mineração e metais. Esse estudo indica que os investimentos estão se direcionando para operações que comprovam transparência e um impacto ambiental menor. Assim, o ESG passou de ser uma vantagem competitiva para uma verdadeira licença para operar.

João Araújo acredita que a sustentabilidade não deve ser vista como um projeto isolado, mas sim como uma construção contínua e diária. Ele afirma que não há como operar de forma sustentável sem organização e diálogo com as comunidades ao redor. Para ele, o ESG não é apenas um selo, mas uma filosofia que orienta a condução do negócio.

Na operação da Mineração Buritirama, que está situada no sudeste do Pará, a estratégia da empresa busca reduzir a dependência econômica apenas da atividade mineral. O “S” do ESG, que se refere às questões sociais, é aplicado em iniciativas que envolvem investimentos em educação, capacitação e infraestrutura para a comunidade. O objetivo é criar um ativo social que perdure mesmo após o encerramento da extração do minério.

Araújo destaca que a mineração tem um prazo definido, mas o desenvolvimento deve ser contínuo. Ele argumenta que quando uma empresa atua em uma região, é fundamental deixar algo que dure. Para ele, educação e oportunidades são os pilares mais importantes para esse legado.

No que diz respeito ao meio ambiente e à governança, a Mineração Buritirama passou por reestruturações ligadas ao cumprimento das exigências do mercado internacional. A empresa adotou fontes de energia renovável e revisou seus processos com o intuito de diminuir impactos ambientais. Essas ações estão diretamente ligadas às demandas de compradores globais que buscam cadeias de suprimentos mais sustentáveis.

Além disso, a reestruturação dos controles internos e dos processos de tomada de decisão vai garantir previsibilidade em um setor que é cíclico e sujeito a oscilações de preços de commodities. Para Araújo, a ideia de que o ESG é apenas um custo a mais é ultrapassada. Ele afirma que uma boa gestão da sustentabilidade não só reduz riscos, mas também melhora processos e aumenta a resiliência da empresa a longo prazo.

Diante desse cenário, fica claro que as empresas do setor de mineração precisam se adaptar a essa nova realidade. O compromisso com práticas sustentáveis não é apenas uma tendência, mas uma necessidade para garantir a continuidade dos negócios. Investir na comunidade e no meio ambiente já não é opcional, mas uma exigência tanto do mercado quanto da sociedade.

As empresas que não se adaptarem a essa nova realidade podem perder relevância no mercado. O gerenciamento responsável dos recursos naturais e o incentivo ao desenvolvimento das comunidades ao redor podem trazer benefícios não apenas para os negócios, mas também para a sociedade como um todo. Ao criar um legado positivo, as empresas de mineração podem se posicionar como líderes no setor.

Esse investimento em práticas de ESG não se limita a um caráter altruísta. Ele também traz retorno financeiro. Estudos mostram que as empresas que adotam práticas sustentáveis tendem a ter uma performance melhor a longo prazo. Assim, ao integrar questões ambientais e sociais à sua estratégia, essas empresas podem se destacar no mercado competitivo.

À medida que a pressão de investidores e consumidores por práticas sustentáveis aumenta, a Mineração Buritirama mostra o caminho para que outras empresas possam seguir. É fundamental ter um compromisso real com a sustentabilidade, que envolva não apenas a redução de danos, mas a criação de valor para todos os envolvidos. Essa abordagem pode transformar o cenário da mineração e garantir um futuro mais equilibrado.

Além de atender às demandas atuais, a implementação de uma gestão ESG sólida também prepara as empresas para desafios futuros. O mundo está em constante mudança, e as empresas que se adaptam mais rapidamente às novas exigências estarão à frente da concorrência. Isso inclui não só a gestão ambiental, mas também a forma como a empresa se relaciona com os colaboradores e a comunidade.

Portanto, o movimento em direção a um modelo de negócios que prioriza os critérios ESG não é apenas uma tendência passageira, mas uma necessidade imperativa. A sustentabilidade deve estar no centro da estratégia de negócios, e isso vale para todas as empresas, independentemente do setor em que atuam.

O futuro das empresas de mineração e outros setores intensivos em recursos naturais depende da capacidade de integrar essas práticas em suas operações diárias. Sustentabilidade é uma jornada, e cada passo nessa direção pode levar a uma melhoria significativa não só para os negócios, mas também para a sociedade e o meio ambiente. Com essa visão, as empresas podem não apenas sobreviver, mas prosperar em um mundo que cada vez mais valoriza a responsabilidade ambiental e social.

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