quarta-feira, fevereiro 4

Em um mundo onde o consumir é valorizado, seja nas lojas físicas ou nas telas do celular, é fácil confundir a vontade de comprar com algo inofensivo. Porém, quando essa necessidade de adquirir coisas se transforma em um comportamento descontrolado e prejudicial, pode ser um sinal de um problema sério: o transtorno de compra compulsiva.

Esse distúrbio psicológico afeta muitas pessoas e, embora frequentemente seja tratado como uma “mania de gastar”, suas consequências podem ser profundas, afetando a vida emocional, financeira e social de quem enfrenta essa situação. Neste texto, você vai aprender o que é a compra compulsiva, como identificá-la, suas causas e formas de superá-la.

O Que é o Transtorno de Compra Compulsiva?

O transtorno de compra compulsiva, também chamado de oniomania, caracteriza-se por um comportamento impulsivo e repetitivo de fazer compras desnecessárias, muitas vezes alimentado por emoções como ansiedade, tristeza, frustração ou euforia.

Quem sofre desse transtorno não compra por prazer racional ou necessidade real. A compra torna-se um escape para sentimentos negativos ou um jeito de preencher um vazio emocional. Esse alívio é temporário e logo dá lugar à culpa, ao arrependimento e ao desejo de repetir o ciclo.

Principais Características do Transtorno

Aqui estão algumas das características mais comuns desse transtorno:

  • Compras frequentes e não planejadas.
  • Dificuldade em controlar o impulso de comprar.
  • Endividamento constante ou descontrole financeiro.
  • Sentimento de culpa após realizar uma compra.
  • Tentativas falhas de parar ou reduzir as compras.
  • Esconder compras de amigos ou familiares.
  • Queda no bem-estar pessoal e social.

Quem Pode Desenvolver Esse Transtorno?

Embora qualquer pessoa possa manifestar comportamentos compulsivos, as mulheres são mais frequentemente diagnosticadas com esse transtorno, especialmente na faixa etária de 25 a 45 anos. Isso não significa que os homens estão isentos do problema, mas estudos indicam uma prevalência maior entre as mulheres, possivelmente devido a pressões sociais.

Além disso, pessoas com histórico de ansiedade, depressão, transtorno bipolar ou baixa autoestima têm maior vulnerabilidade. O transtorno também pode surgir em indivíduos que já enfrentam outras compulsões, como a alimentação compulsiva ou o vício em jogos.

Diferença Entre Comprar Muito e Ser Compulsivo

É normal querer comprar algo novo de vez em quando ou gastar um pouco mais durante as promoções. Contudo, isso não indica um transtorno de compra compulsiva.

A grande diferença reside no controle e nas consequências. Uma pessoa com compulsão tende a:

  • Comprar mesmo sem condições financeiras adequadas.
  • Usar as compras como um método para lidar com emoções negativas.
  • Sentir alívio durante a compra, seguido de culpa após.
  • Ter prejuízos em sua vida pessoal, profissional ou nos relacionamentos.

Por outro lado, quem apenas gosta de comprar pode exagerar de vez em quando, mas ainda assim consegue se controlar, planejar e detener-se quando necessário.

Principais Causas do Transtorno

Não existe uma única causa para a compra compulsiva; é uma condição multifatorial que surge da combinação de fatores psicológicos, biológicos, sociais e culturais. Vejamos os principais fatores:

1. Fatores Emocionais

Comprar pode tornar-se uma válvula de escape para emoções difíceis, como:

  • Ansiedade.
  • Estresse.
  • Solidão.
  • Tristeza.
  • Baixa autoestima.

Essas compras proporcionam uma sensação momentânea de controle e prazer, mas logo surgem os sentimentos de culpa.

2. Pressão Social e Publicidade

Atualmente, a sociedade impulsiona o consumo como sinônimo de sucesso e felicidade. Publicidades e redes sociais fazem com que o desejo de ter se confunda com a necessidade de ser. Comparações constantes com os outros podem levar à busca de validação por meio das compras.

3. Impulsividade e Desequilíbrios Cerebrais

Pesquisas sugerem que alterações em neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina, podem estar vinculadas à compulsão. Essas mudanças explicam a sensação de prazer que ocorre durante a compra, seguida pelo desejo de repetir o comportamento.

4. Histórico Familiar ou Traumas

Pessoas que cresceram em ambientes financeiramente desorganizados ou que vivenciaram traumas emocionais podem desenvolver esse comportamento como um meio de compensação emocional.

Como Identificar o Transtorno de Compra Compulsiva

Se você se identificou com algumas das situações descritas, talvez esteja desenvolvendo um padrão compulsivo. Para ajudar a reconhecer, analise se:

  • Você compra mesmo sem precisar.
  • Faz compras secretamente.
  • Tem receio de abrir a fatura do cartão.
  • Sente arrependimento logo após a compra.
  • Já tentou parar, mas não conseguiu.
  • Está acumulando dívidas ou escondendo sua real situação financeira.

Se respondeu sim à maioria dessas questões, é crucial buscar ajuda profissional, como um psicólogo ou psiquiatra.

Consequências da Compra Compulsiva

Esse transtorno pode ter um impacto significativo na vida de quem o possui. As consequências vão além do aspecto financeiro e afetam diversas áreas da vida, como:

  • Saúde Mental: aumento da ansiedade, da depressão e sentimentos de culpa.
  • Relacionamentos: conflitos familiares, rompimentos e isolamento social.
  • Trabalho e Estudos: diminuição no rendimento e dificuldades de concentração.
  • Aspecto Financeiro: dívidas, nome sujo, perda de bens e comprometimento orçamentário.

Tratamento para a Compra Compulsiva

A boa notícia é que há opções de tratamento e elas podem resultar em melhorias significativas, especialmente se o transtorno for identificado a tempo. O tratamento geralmente é realizado de maneira multidisciplinar e abrange:

1. Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das mais recomendadas. Ela ajuda o paciente a identificar gatilhos, compreender pensamentos distorcidos e desenvolver estratégias para lidar com as emoções sem recorrer às compras.

2. Medicação

Em alguns casos, o uso de antidepressivos ou estabilizadores de humor pode ser necessário, especialmente se houver outros transtornos associados, como depressão ou ansiedade. Essa prescrição deve sempre ser feita por um psiquiatra.

3. Educação Financeira

Parte do tratamento envolve aprender a gerir o dinheiro adequadamente, elaborar orçamentos, limitar gastos e substituir comportamentos impulsivos por hábitos saudáveis.

4. Grupos de Apoio

Participar de grupos terapêuticos ou comunidades de apoio pode ser essencial na recuperação. O suporte de pessoas que enfrentam desafios semelhantes ajuda a manter o foco na superação.

Dicas Práticas para Começar a Mudar

Além do tratamento, algumas atitudes simples podem fazer a diferença na cotidianidade:

  • Deixe o cartão de crédito em casa e evite parcelar compras.
  • Espere 48 horas antes de adquirir algo não essencial.
  • Defina metas de economia e monitore seus gastos.
  • Evite acessar sites de compras por tédio.
  • Dedique seu tempo a atividades que proporcionem prazer real, como hobbies, esportes ou trabalho voluntário.

Sim, é possível recuperar o controle da sua vida financeira e emocional. Esse processo exige paciência, comprometimento e apoio. Reconhecer o problema já é um grande passo. A partir disso, buscar ajuda e mudar hábitos gradualmente possibilita que você se reconecte com o consumo consciente e sua auto-estima.

Lembre-se: comprar de vez em quando para se presentear ou celebrar uma conquista é natural. Porém, quando o ato de adquirir se torna uma fuga ou uma compulsão, é essencial prestar atenção a isso e buscar ajuda.

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